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Uso terapêutico da cannabis é tema do Globo Repórter desta sexta-feira

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Em 2023, 430 mil pessoas fizeram uso de medicamentos à base de cannabis no Brasil. Esses extratos, que tratam diversas síndromes e doenças, ainda esbarram no preconceito e na legislação. O ‘Globo Repórter’ desta sexta-feira, dia 03, acompanha o trabalho de famílias e pesquisadores que, juntos, atuam para produzir e divulgar a eficácia dos remédios à base da flor da planta e mostra histórias de pessoas que tiveram melhoras surpreendentes em sua saúde com o uso da cannabis medicinal.
No Brasil, a cannabis só pode ser cultivada com autorização judicial. O programa visita a APEPI, Associação de Apoio a Pacientes e Pesquisas da Cannabis Medicinal, onde começou a luta pela regulamentação do uso terapêutico da planta. Foi fundada pela ativista e advogada com especialização em responsabilidade social e terceiro setor, Margarete Brito, e seu marido, há dez anos, quando um médico recomendou o uso do óleo rico em canabidiol para Sofia, filha do casal, que tinha cerca de 10 convulsões por dia. Com o uso do óleo, atualmente a menina fica ao menos dois dias sem ter convulsões. A reportagem mostra como tem sido essa luta ao longo dos anos e conta como ela tem beneficiado pessoas Brasil a fora.
Os medicamentos à base de cannabis ainda são muito novos e não curam, mas pesquisas indicam e especialistas afirmam que eles são capazes de tratar pacientes que têm resistência aos remédios convencionais. Como é o caso do Nicolas, que tinha convulsões desde os três meses de vida. Ele foi diagnosticado com microcefalia, paralisia cerebral e epilepsia. “Meu filho vegetava. Ele estava em estado de coma. Não comia, não se movimentava”, conta o pai, Gabriel Alcides. A partir de uma reportagem do ‘Fantástico’, em 2014, Gabriel descobriu o tratamento por meio da cannabis e foi em busca de ajuda. Três dias depois de começar o uso do óleo de cannabis, ele percebeu a diferença no filho. Hoje, aos 12 anos, Nicolas conquistou outra qualidade de vida. “Ele agora pode estar no meio da sociedade, vai para a escola, terapia. Corre, dá risada, fica feliz. Tem autonomia dentro de casa”. A família se mudou de São Paulo para João Pessoa, para ficar mais perto da Associação Brasileira de Apoio à Cannabis Esperança, a ABRACE, que fornece o medicamento.
Duas substâncias estão mais presentes nesses remédios: o canabidiol, CBD, que funciona como um calmante; e o tetrahidrocanabinol, o THC, que também pode ser calmante, mas dependendo da dose, tem efeito euforizante. A Organização Mundial da Saúde declarou que a CBD é segura e não vicia. Quanto ao THC, a OMS recomenda o uso restrito da substância, em terapias medicinais, com acompanhamento médico. O Uruguai foi o primeiro país da América do Sul a permitir o cultivo da planta, uso medicinal, adulto ou recreativo; a Argentina aprovou o cultivo e liberação de remédios à base de cannabis; e 38 dos 50 estados americanos liberaram o uso medicinal da planta. No Brasil, a venda é autorizada somente sob prescrição médica e o produto é, quase sempre, importado.
A Fiocruz, uma das instituições de saúde e pesquisa mais respeitadas no Brasil, defende que medicamentos à base de cannabis sejam largamente produzidos para chegar a quem precisa. De acordo com a Fundação, o novo medicamento auxilia no tratamento e na redução das dores crônicas, convulsões, espasmos, náuseas, distúrbios do sono, perda de apetite e sintomas do Parkinson. Recentemente ela divulgou uma nota técnica em que afirma ser fundamental o investimento científico nessa área, além da regulamentação que viabilize a produção, a prescrição e o acesso ao medicamento no Sistema Único de Saúde.
A repórter Lilia Teles entrevista o pesquisador Francisco Netto, coordenador da nota técnica, que conta que a ideia é dar segurança para os atores que estão defendendo a necessidade de avançarmos na produção nacional, já que vivemos em um país tão desigual. Enquanto a planta da cannabis e o remédio pronto tiverem que ser importados, a grande maioria da população não terá condições de comprar.
Em Volta Redonda, no Sul fluminense, o Estádio Municipal Sylvio Raulino de Oliveira, recebe mais do que amantes do futebol. A estrutura conta com um espaço, abaixo das arquibancadas, que foi aproveitado para consultas da rede pública. Um deles oferece atendimento médico e óleo de cannabis, gratuitamente, caso o paciente precise de um medicamento diferenciado. Há um ano, os consultórios atendem 319 pacientes com epilepsia, espectro autista e Alzheimer, entre outras doenças. Em São Paulo, o Centro de Pesquisa e Ensino da Unicamp tem feito o controle de qualidade de vários óleos produzidos por associações de diversas partes do Brasil. Em uma das universidades mais respeitadas da América Latina, a cannabis medicinal é, inclusive, tema de aulas de pós-graduação.
“Cada vez que eu encontrava uma família que buscou na cannabis medicinal uma esperança de poder conviver com seus filhos de forma mais natural, de tê-los no convívio com outras pessoas, me emocionei. Com esse programa, queremos esclarecer dúvidas e levar conhecimento através das histórias e relatos dessas pessoas”, afirma a repórter.
O Globo Repórter desta sexta-feira, dia 03, vai ao ar logo após a novela ‘Renascer’.
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Édipo Pereira

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